14 setembro 2026

Produtora registrou em cartório ameaça de que a PF bateria à sua porta caso não aceitasse delatar Flávio Bolsonaro


A Polícia Federal cumpriu, nesta manhã, um mandado de busca e apreensão na residência da produtora Karina Gama, responsável por um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante a operação, os agentes apreenderam, entre outros materiais, um documento de quatro páginas no qual ela relata ter sido pressionada a realizar uma delação premiada contra o senador Flávio Bolsonaro.

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 Segundo a declaração, que teria sido registrada antes da operação, Karina afirma que recebeu contatos de pessoas que teriam oferecido apoio jurídico e sugerido que ela colaborasse com as autoridades. Ainda conforme o documento, ela teria recusado as propostas por afirmar não possuir informações que justificassem uma delação.

A produtora relata que o primeiro contato teria ocorrido em 22 de maio de 2026, quando o empresário Fernando Sarney, filho do ex-presidente José Sarney, teria oferecido apoio jurídico e mencionado proximidade com o ministro Flávio Dino.

O segundo episódio, segundo Karina, ocorreu em 27 de agosto. Ela afirma que um líder religioso com trânsito entre integrantes do governo federal e do Supremo Tribunal Federal teria procurado a produtora para transmitir uma suposta proposta de colaboração.

Ainda de acordo com o relato, um jornalista também teria participado das pressões, afirmando que a produtora poderia sofrer consequências judiciais caso não colaborasse.

No documento, Karina diz ter temido ser alvo de uma operação policial como forma de retaliação por não aceitar a proposta.

A realização da busca e apreensão pela Polícia Federal nesta sexta-feira chamou atenção porque ocorreu posteriormente ao registro da declaração. A coincidência entre o conteúdo do documento e a operação, entretanto, não comprova, por si só, que tenha havido retaliação política ou qualquer irregularidade na atuação policial.

As circunstâncias que motivaram a operação, o conteúdo integral do mandado e eventual relação entre as medidas adotadas pela PF e as acusações feitas pela produtora deverão ser esclarecido.

Da Redação  

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