Estudantes do Centro
Estadual de Tempo Integral (CETI) Deputada Francisca Trindade, em Buriti dos
Lopes, manifestaram indignação com as condições enfrentadas diariamente na
unidade de ensino e também com a carga de atividades imposta aos alunos que
permanecem em período integral.
Segundo o relato
encaminhado à reportagem, os estudantes passam aproximadamente dez horas por
dia dentro da escola e afirmam que, apesar da extensa jornada, enfrentam
problemas que consideram básicos, como falta de água, condições inadequadas nos
banheiros e insatisfação com a alimentação oferecida.
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Uma das principais
reclamações é justamente a falta de água. Os alunos relatam que, em
determinados momentos, não há água disponível e que, quando existe, estaria
quente ou apresentaria sujeira e resíduos. A escola possui três bebedouros,
mas, segundo os estudantes, nenhum estaria oferecendo água adequadamente
gelada.
A situação seria
ainda mais incômoda durante os horários de maior calor, especialmente no
período próximo ao meio-dia, quando os alunos permanecem na instituição por
várias horas.
Os estudantes também
denunciam problemas nos banheiros, afirmando que, em algumas ocasiões, faltaria
água e papel higiênico. Eles relatam ainda mau cheiro, sujeira e condições
consideradas inadequadas de higiene.
Reclamações sobre a
merenda
A alimentação escolar
também aparece entre as principais queixas. De acordo com os estudantes, em
determinados dias o lanche oferecido seria composto apenas por pão com suco ou
um copo de abacatada.
Para os alunos, a
quantidade e a qualidade da alimentação precisam ser analisadas, principalmente
porque se trata de uma escola de tempo integral, onde os estudantes permanecem
durante grande parte do dia.
Câmeras e falta de
professores
Outro questionamento
apresentado pelos estudantes envolve o sistema de câmeras de segurança da
escola. Segundo eles, apesar da existência dos equipamentos, haveria situações
em que problemas ocorridos dentro da unidade não teriam uma solução considerada
satisfatória pelos alunos.
Os estudantes também
relatam que, quando há ausência de professores, muitas vezes permanecem na
escola aguardando, mesmo sem atividades ou aulas naquele período.
Sobrecarga fora do
horário escola
Além das condições
estruturais, os estudantes questionam a quantidade de atividades realizadas
fora do horário da escola.
Segundo o relato, os
alunos do ensino em tempo integral precisam cumprir atividades do curso de
inglês English Central fora da jornada escolar. A reclamação não é contra o
ensino de inglês, mas contra a forma como as atividades são acrescentadas à
rotina de estudantes que já permanecem cerca de dez horas diariamente na
instituição.
Os alunos afirmam que
chegam em casa cansados e ainda precisam dedicar tempo às atividades do curso,
o que, segundo eles, aumenta a sensação de pressão e sobrecarga.
“Nós não somos
máquinas”, afirmam os estudantes no manifesto.
Para eles, educação
de qualidade não deve ser medida apenas pela quantidade de horas que o aluno
permanece dentro da escola ou pelo número de atividades realizadas. Na
avaliação dos estudantes, também é necessário garantir descanso, convivência
familiar e condições adequadas para o aprendizado.
“Não estamos pedindo
luxo”
Os alunos afirmam que
não estão reivindicando privilégios, mas condições que consideram básicas para
permanecer em uma escola de tempo integral.
Entre as principais
reivindicações estão água limpa e adequada para consumo, banheiros com água e
papel higiênico, melhores condições de higiene, alimentação considerada digna,
soluções para os períodos sem professores e uma revisão da quantidade de atividades
realizadas fora do horário escolar.
O manifesto também
critica o que os estudantes consideram uma inversão de prioridades. Segundo
eles, enquanto problemas relacionados à estrutura, higiene, alimentação e
ausência de professores ainda precisam ser solucionados, haveria preocupação
com questões consideradas menos urgentes, como regras relacionadas ao uso de
tênis ou à entrada de objetos pessoais, como pente e espelho.
O caso chama atenção
para uma discussão maior sobre as condições oferecidas aos estudantes que
passam praticamente todo o dia dentro da escola. Se a proposta é manter
adolescentes por tantas horas no ambiente escolar, é razoável cobrar que a
estrutura, a alimentação, a higiene e a própria rotina pedagógica estejam à
altura dessa responsabilidade.
A reportagem
apresenta as reclamações como relatos dos estudantes e fica aberta para que a
direção do CETI Deputada Francisca Trindade e a Secretaria de Estado da
Educação do Piauí apresentem esclarecimentos e informem quais providências
estão sendo adotadas diante das denúncias.
Da Redação Portal do
Rurik

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